Os Falsos Prazeres Litúrgicos

O grande erro da “igreja midiática” – ou um dos – é tentar fazer uma associação dos prazeres da carne com os prazeres espirituais.

Veja, não há nada de errado em andar de skate, dançar ou escutar uma música e sentir prazer nessas coisas. O problema é que quando trazemos isso para o contexto do culto que prestamos a Deus, sobretudo o culto público, o inevitável acontecerá, a saber, que essas coisas estão – supostamente – preenchendo positivamente o coração das pessoas, deixando-as maduras, tal como o que se pode conseguir com oração, leitura da Bíblia e outras disciplinas verdadeiramente bíblicas.

Não vamos confundir com o fato de que podemos fazer as coisas, qualquer coisa, para a glória de Deus, podendo ser espirituais nas coisas mais triviais, como quando estamos praticando algum exercício, por exemplo. Não, essa não é a questão.

O ponto é que, primeiro, as pessoas de hoje em dia, principalmente a juventude atual com todos os estímulos próprios da nossa época, simplesmente não conseguem encontrar prazer naquelas disciplinas verdadeiramente espirituais que citei anteriormente.

É um engano, pois é possível estar plenamente satisfeito em Deus, o que nos leva ao segundo ponto, a saber, que não conseguiremos e sentiremos isso das mesma maneira como alguém que pula de paraquedas para sentir a adrenalina, ou como quando se bebe uma boa garrafa de vinho para ficar alegre e esquecer dos problemas.

Assim, orar e ler a Bíblia não precisa – e nem deveria – ser um fardo. Agora, não pense que o mesmo prazer que temos ao assistirmos ao nosso seriado de tv favorito será o mesmo prazer de ter que dobrar o joelho, pelo tempo que for, para se deleitar em Deus em um momento de oração. Isso jamais acontecerá.

Longe de querer ser dualista, apenas estou clareando as coisas e colocando os “prazeres” em seus lugares. Lembremos que o entretenimento, de maneira geral, é algo criado pelo homem e para o homem, não levando Deus em consideração. A natureza daquele é carnal, já a dos meios de graça, espiritual.

O prazer do entretenimento é imediatista e visa o passageiro, o presente momento. O prazer nas coisas de Deus é progressivo e visa a eternidade. O entretenimento exige de nós tão somente uma atitude passiva. As coisas de Deus exigem de nós labuta, diligência e disciplina, trabalhando em conjunto com o Senhor sabendo que é dEle tanto o começo como o fim do prazer santo.

Jogue videogame, vá ao cinema ver um blockbuster ou curta uma praia. Leia um best-seller de ficção, pratique capoeira ou junte uns amigos para uma partida de RPG. Se nada disso entrar em conflito com as Escrituras, então os faça pela fé e para agradar ao Senhor.

Mas lembre-se, o que é possível obter nas páginas de uma Bíblia e/ou num momento a sós com Deus não é exatamente o que satisfará a sua carne, mas pode proporcionar alegrias indizíveis no Senhor.

Mauricio Mac Machado.

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  • Willian Rochadel

    Sensacional! Ótima percepção.

  • Paz! Acho importante manter “a carne” entretida, até por que a maioria dos entretenimentos estimula seu cérebro de alguma maneira, impulsionando as habilidades cognitivas e motoras, além de te inserir em grupos sociais diversos para espalhar as Boas Novas.

    É perigoso, porém, esquecer Deus. Videogames te levam a matar, roubar e destruir (tá bom, to falando do GTA em específico, mas enfim…) pra progredir; muitas músicas estimulam comportamentos que vão contra o exemplo de Cristo, e assim vai. Guardando nosso coração, penso que tudo podemos! (Mas nem tudo convém)

    • Victor

      Acho que o texto do Mac já retorna isso: “Jogue videogame, vá ao cinema ver um blockbuster ou curta uma praia.
      Leia um best-seller de ficção, pratique capoeira ou junte uns amigos
      para uma partida de RPG. SE NADA DISSO ENTRAR EM CONFLITO COM AS ESCRITURAS, então os faça pela fé e para agradar ao Senhor.”

      • Victor; o que quis dizer é que jogar um jogo que simula crimes não entra, pra mim, em conflito com as escrituras – todos tem seu prisma, e o meu é que são apenas zeros e ‘uns’ sendo calculados – mas a ideia maior leva o cérebro a se acostumar com a violência, e, embora não estejamos causando morte à ninguém, estamos nos ambientando com ela de maneira desagradável.

  • walace alves

    Muito boa essa reflexão!!! Temos que fazer essa diferenciação para não cairmos nesse erro de pensar que estamos alimentando o espírito fazendo coisas carnais que como vc disse, primeiramente dão prazer ao homem.

    “Lembremos que o entretenimento, de maneira geral, é algo criado pelo homem e para o homem, não levando Deus em consideração. A natureza daquele é carnal, já a dos meios de graça, espiritual.”

    Sensacional!!!

    Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa kkkkk

  • Victor

    Excelente texto! Concordo totalmente. Acrescentaria, talvez, o aspecto de, devido às fraquezas de algumas pessoas, nem todos esses prazeres podem ser bons. Tem pessoas que não podem ver certos filmes ou jogar video game pois alimentaria um pecado específico nelas. É claro que, isso é mais específico! Mas o alerta foi muito bom!

  • Ana Paula Damasceno

    O texto é bom mas discordo em algumas coisas. Na afirmativa ” o prazer do entretenimento é imediatista e visa o passageiro, o presente momento”. Imediatismo é tudo aquilo que se faz no aqui e agora, sem pensar nas consequências. Filosofia e prática daqueles que cuidam obter vantagem imediata.(definição de Dicionário). Uma pessoa que pratica um esporte de maneira continua,gradativa e de maneira saudável esta obtendo um bem estar de longo prazo. Os efeitos que o exercício produz no corpo não é algo que perceptível assim que acabamos o exercício. Ao contrário, sentimos dor e desconforto e se não tivermos força de vontade paramos nas primeiras semanas. A leitura é um prazer de longo prazo. Ficamos satisfeitos com o que lemos no imediato sim mas os efeitos da leitura se perpetuam em nossas mentes produzindo reflexões, conexões com outros livros que lemos, filmes.Discordo também quando o texto afirma que o entretenimento exige de nós uma atitude passiva. O que há de passivo em compor uma musica, praticar um esporte, brincar com um filho, costurar, fazer uma aula de teatro, dança? E se estamos conectados com Deus sua presença se fará presente nessas atividades lúdicas. Eu tenho prazer (de verdade) quando vou a igreja, gosto de encontrar as pessoas, ouvir pregações, rir de algumas, sinto bem estar quando tenho aquele tempo folgado pra conversar com Deus, para mim nada disso é chato. Creio que quando deixamos Deus estar presente nas pequenas ações cotidianas, tudo fica mais simples. Ate a maneira como lidamos com o prazer.

    • Ana, entendo o seu ponto, mas eu sequer tinha em mente o que você concluiu, tanto que no final do texto eu recomendo o entretenimento com a devida submissão as Escrituras.
      O meu ponto é quanto ao entretenimento a partir do momento em que ele se torna uma espécie de “alucinógeno” ou “entorpecente espiritual”.

      • Ana Paula Damasceno

        Entendi seu ponto de vista Mauricio, ele esta bem claro.Gostei do texto. Nao tenho formacao em Teologia.Gosto de ler a historia e origem sobre aquilo que desperta minha curiosidade.Destaquei esses pontos porque percebo, no pensamento cristao em geral, resquicios de ideias medievais ainda encutidas em nossas mentes. Existem alguns desses resquicios na maneira como nos relacionamos com o lazer, entretenimento, prazer, ludicidade,arte e como lidamos com isso na igreja.Deus criou tudo por que D’Ele provem toda fonte de conhecimento.O homem so desenvolve e aperfeicoa por que tudo ja esta ai disponivel.Imaginei o que Adao e Eva devem ter feito no Jardim do Eden quando nao estavam papeando com Deus: nadado, caminhado pelo jardim, conversado.Vivemos uma certa culpa nos preocupando se isso ou aquilo ocupa o lugar de Deus.Isso por que infelizmente a maioria das coisas criadas, desenvolvidas para a diversao sao feitas por aqueles que em geral nao tem nenhum compromisso declarado com Deus. Ja que e assim, examinemos e retenhamos o que e bom.Tudo que e honesto, puro amavel…nisso pensai. Creio que foi isso que foi o que quis dizer quando escreveu que o prazer deve estar de acordo com as escrituras ( e a nossa peneira).Somos vitimas da pos modernidade e vemos nosso tempo consumido e nao conseguimos, como recomenda Eclesiastes 3, dividi-lo com equilibrio no geral.Creio que talvez esse seja o problema do cristao moderno.Deus te abencoe.?

  • Andrei

    Amém