• Glória Hefzibá

    Muito bom o texto! Essa onda teonomista chega a assustar. Mentes jovens falando como esse velho Oswaldo, defendendo uma aplicação crua e fria de leis judaicas, sem qualquer interpretação (coisa que não se faz nem com as leis civis). Vejo pessoas na internet dizendo, sem o menor constrangimento, que matariam hereges (ou aqueles que elas consideram hereges…) caso houvesse prescrição bíblica.

    Será que é tão difícil perceber a insensatez de um posicionamento assim? É uma atitude suicida. Devem estar esquecidos do que Jesus disse sobre o adultério e o homicídio que se cometem no coração, por exemplo. Por que não os vejo arrancando seus olhos, mãos, ou pés, quando esses os fazem pecar?

    Por que é tão difícil entender que, embora a Palavra tenha sido sempre uma, a interpretação sempre foi contextualizada?

    A tolerância é uma atitude cristã: ela afirma a discordância, sem mandar pessoas para a fogueira; ela ratifica a moral, sem deixar de amar os que rejeitam a virtude.

    Será que vamos “desfazer” tudo o que Jesus fez (“Ouviram o que foi dito […], Eu porém lhes digo […]”)? Quando vamos entender que a promessa veio antes da Lei, e que aquele velho testamento hoje não é mais?

    Boa reflexão. Que Deus tenha misericórdia de nós.

  • Alcino Júnior

    O que mais me assusta nos teonomistas é o caráter intolerante que eles adotam com os próprios irmãos. Um teonomista que percebe que algum irmão não concorda com as convicções dele simplesmente passa a ignorá-lo e se possível for, até o exclui de seu convívio.

    Pelo menos na maioria dos casos é assim. O texto reflete exatamente a personalidade da maioria dos teonomistas que estão em atuação hoje. Principalmente nas redes sociais.

  • Fernando Santos Frezza

    dos bem mal-feitos..

    • Alexander Stahlhoefer

      ???

      • Fernando Santos Frezza

        esse seu mestre não é teonomista, a descrição do que ele acredita não bate.

  • Frank Brito

    Uma das mais importantes coisas que as pessoas precisam entender sobre leis é que elas são inescapavelmente a imposição, de uma forma ou outra, de determinados sistemas de valores. Essa é a natureza inescapável das leis. A única maneira de evitar a imposição de valores pelo Estado é não tendo leis e abolindo o Estado. Se há uma lei, há necessariamente algum valor sendo imposto. Para esclarecer: pensemos nas leis brasileiras que lidam com o homicídio. Quando nós prendemos homicidas, com base nessas leis, nós estamos impondo um sistema de valores. Nós estamos reconhecendo o valor da vida humana e, com base nisso, declaramos que assassinar um ser humano é grave o suficiente para que quem o faça seja punido por isso. Da mesma forma, quando punimos ladrões, estamos reconhecendo o valor e a importância da propriedade privada. E quando punimos estupradores, estamos declarando que ninguém pode ser forçado a se relacionar sexualmente com outra pessoa. Leis inescapavelmente impõe sistema de valores. Quando uma lei estabelece uma punição, ela está declarando que aquele comportamento é socialmente inaceitável. E quando uma lei regulamenta algum tipo de comportamento ou atividade, ela está impondo socialmente que aquele comportamento ou atividade é, de alguma forma, virtuoso, aceitável ou, no mínimo, tolerável.

    A verdadeira natureza do debate, então, não é se as nossas leis podem ou devem impor valores, pois essa é a natureza inescapável das leis. A verdadeira natureza do debate é quais valores devem ser reconhecidos. O Estado deve reconhecer e impor o valor relacionados à vida humana ou à propriedade privada? Se deve, então tem que haver leis criminalizando o homicídio e o roubo. Ou esses valores não podem ser impostos e as pessoas devem ter liberdade para matar e roubar? O Estado deve garantir a educação escolar para todos? Se a resposta for sim, então haverá leis relacionadas à educação que irá impor valores educacionais específicos. Evidentemente, nem tudo deve ou sequer pode ser imposto pelo Estado e, consequentemente, não pode haver leis lidando com tudo. Mas, se há leis e há Estado, então valores específicos inevitavelmente serão reconhecidos e outros inevitavelmente serão rejeitados.

    Quem não entende isso, não entendeu a natureza do governo, das leis e, muito menos, qual é o debate.

    • Alexander Stahlhoefer

      Obrigado pelo comentário!Por isso meu questionamento sobre quem tem a tarefa de impor leis: seria essa a tarefa da Igreja, sua missão no mundo? Não teria sido essa a sua falha, quando deixou de ser perseguida para ser perseguidora? A imposição cristã de valores trouxe benefícios inegáveis à sociedade romana, medieval e moderna. Mas também trouxe opressão e morte, quando desobediência civil era igualada à heresia. Concordo que cristão devam influenciar a política e o processo legislativo, não concordo no entanto quando alguém coloca assuntos de moral e política como critério de ortodoxia. Este é o debate que eu propus, ainda que possam haver outros debates possíveis, não estou fechado.

      • Jonas Justiniano

        Permitam-me contribuir com o pouco de conhecimento que tenho deste assunto.

        Nós teonomistas não cremos que o papel coercitivo é da Igreja como você quis dizer. Acreditamos que o papel da Igreja é pregar o Evangelho para as nações, para que assim O ESTADO aplique as Leis, pois ele é a espada de Deus para castigar os que fazem o mal e louvar os justos (Romanos 13). O papel coercitivo é estatal, não eclesiástico.

        Isso corrobora com a missão que Cristo nos deixou, que é de pregar o Evangelho a todas as nações, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A grande questão é: por que Cristo nos deixou essa ordem? Porque Deus afirma que as nações tem a obrigação moral de serem instruídas em sua Lei (Salmos 2,10). Sendo assim, a Igreja é o meio que Deus estabeleceu para instruir as nações para que elas sejam convencidas e passem a cumprir com os deveres estabelecidos por Deus. Não pregamos o avanço do cristianismo por meio da espada, mas da pregação da Palavra de Deus e o convencimento do Espírito Santo.

        • Alexander Stahlhoefer

          Jonas, obrigado pelo comentário.
          Veja minha resposta ao Frank, ali tem perguntas que tocam na interpretação do Sl 2 e no papel de instruir as nações. Este é o ponto que quero entender melhor.
          Abraços.

      • Frank Brito

        “Por isso meu questionamento sobre quem tem a tarefa de impor leis: seria essa a tarefa da Igreja, sua missão no mundo?”

        Primeiro, a Igreja e Estado ordenadas pelas Escrituras como instituições distintas, com tarefas distintas. Teonomistas modernos, sendo Reformados, defendem isso, que sempre foi defendido pela Teologia Reformada, sendo expressa em todas as nossas Confissões e Catecismos:

        “Deus,
        o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para
        o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe
        são sujeitos, e a este fim, os armou com o poder da espada para
        defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores (…) O Senhor
        Jesus, como Rei e Cabeça da sua Igreja, nela instituiu um governo
        nas mãos dos oficiais dela; governo DISTINTO da magistratura civil (…) A esses
        oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude
        disso eles têm respectivamente o poder de reter ou remitir pecados;
        fechar esse reino a impenitentes, tanto pela palavra como pelas censuras;
        abri-lo aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho
        e pela absolvição das censuras, quando as circunstâncias
        o exigirem”.
        (Confissão de Fé de Westminster, 23:1; 30:1)

        Aqui a Confissão de Fé de Westminster reconhece que a Igreja é distinta do Estado. Em outras palavras, há um governo civil e há um governo eclesiástico, que não são os mesmos. Alias, os Padrões de Westminster reconhecem a existência de três instituições de governo, que são distintas (Catecismo Maior, P. 124): a Igreja (CFW, 25), o Estado (CFW, 23) e a Família (CFW, 24).

        Além disso, a Confissão de Fé de Westminster, seguindo o modelo bíblico, reconhece que tanto o governo eclesiástico quanto o governo civil tem a obrigação de impor leis, mas de maneira diferente. A imposição de leis pela igreja é por meio do “poder das chaves” (Mt 16). Pelo “poder das chaves”, a Igreja tem autoridade para disciplinar e excomungar malfeitores da Igreja, como vemos Paulo mandando fazer na primeira carta aos Coríntios:

        “Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo”. (I Coríntios 5:12-13)

        Por outro lado, a autoridade dos magistrados civís não é “o poder das chaves”, mas descrito pela Confissão como “o poder da espada”, baseado no que lemos na carta de Paulo aos Romanos e também em Pedro:

        “Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal”. (Romanos 13:4)

        Pedro não se refere especificamente à espada, mas descreve o mesmo:

        “Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem”. (I Pedro 2:13-14)

        Isso significa que, diferente da Igreja, que impõe sanções estritamente espirituais contra os malfeitores (“seja entregue a Satanás para destruição da carne” – I Co 5:5), o governo civíl impõe sanções físicas contra criminosos (“não traz debalde a espada” – Rom 13:4). Além disso, a esfera de autoridade da Igreja para impor essas sanções é sobre os membros da Igreja (” Tirai, pois, DENTRE VÓS a esse iníquo”), não sobre quaisquer outros, enquanto a autoridade do governo civil é sobre todos em determinada região geográfica, sendo membros da Igreja ou não, como lemos em Romanos 13 e I Pedro 2:13-14.

        Esse é o entendimento tradicional da Teologia Reformada e os teólogos Teonomistas modernos, como Reformados, subscrevem ao que eu acabei de explicar. Alias, qualquer um que tenha qualquer familiaridade com autores Teonomistas, sabe que uma das coisas que eles mais enfatizam sobre a ordem social é Deus ordenou diversas instituições para governo, não só a Igreja ou o Estado. É só ler os seus principais escritos:

        “Deus estabeleceu várias autoridades para a ordem apropriada da sociedade. Mães e pais têm autoridade sobre seus filhos. Líderes da Igreja – presbíteros e diáconos – possuem autoridade na Igreja. E os governos civis exercem autoridade política sob os decretos de Deus”. (Gary DeMar, Ruler of the Nations: Biblical Principles for Government, p. 167)

        Para a manuntenção da ordem social, Deus estabeleceu três instituições que Ele desejou que fosse permanente na sociedade humana: a Igreja, a família e o Estado (o governo civil)”. – Joe Morecraft III, Authentic Christianity, p. 534)

        Em uma das mais importantes obras sobre o assunto, “Theonomy in Christian Ethics”, escrita pelo Greg Bahnsen, há um capítulo inteiro chamado, “A Separação entre a Igreja e o Estado”, para defender o que eu descrevi acima.

        Então, respondendo seu questionamento, “quem tem a tarefa de impor leis: seria essa a tarefa da Igreja, sua missão no mundo?”

        Teonomistas acreditam que a Igreja tem a obrigação de impor leis, espiritualmente, pelo “poder da chaves”, disciplinando e excomungando malfeitores da Igreja, mas é somente que o governo civil que tem o poder de punir criminalmente todos na sociedade, pela coerção do “poder da espada”. Não acreditamos que seja um deve da Igreja perseguir criminosos. É dever do Estado. Defendemos o que a Teologia Reformada sempre defendeu.

        • Alexander Stahlhoefer

          Obrigado pelas explicações Frank,
          Em linhas gerais, como luterano, também subscrevo à teologia dos três estamentos e a distinção dos dois regimentos. Nisso temos pleno acordo.

          O que pra mim não está claro é:
          1. Como os teonomistas relacionam Igreja e Estado? Qual a influencia de um sobre o outro?
          2. Um estado cristão é um alvo dos teonomistas?
          3. Se a resposta de 2 for sim, como seria este estado? Que leis bíblicas se aplicariam a este estado, quais não, como diferenciar leis bíblicas com aplicação civil das que não podem ter aplicação civil em um estado cristão?
          4. Se 2 for sim, qual o valor da liberdade de consciencia? Haveria liberdade de culto e manifestação religiosa? Em que medida?
          Abraços

          • Frank Brito

            Alexander Stahlhoefer,

            1. A Igreja e o Estado, assim como a Família, são instituições distintas. É importante distinguí-las, pois cada uma tem uma função específica que não pode ser adequadamente observada caso uma comece a se intrometer no trabalho da outra.

            A função da Igreja é ensinar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos (batismo e Ceia do Senhor), aplicar disciplina contra os rebeldes impenitentes da Igreja, excomungando-os do corpo e ajudar os necessitados dentro da esfera da diaconia.

            A função do Estado é, em resumo, louvar a virtude e punir os malfeitores na sociedade:

            “… porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo”. (Romanos 13:4-6)

            “Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem”. (I Pedro 2:13-14)

            “Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o Senhor teu Deus te dá, segundo as tuas tribos, para que julguem o povo com justiça”. (Deuteronômio 16:18)

            “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor, e regozijai-vos com tremor”. (Salmo 2:10-11)

            Veja que todos esses textos mostram que os magistrados são ministros de Deus, ordenados por ele para um fim específico, que é o de louvar a virtude e castigar os malfeitores, na sociedade. Isso remete ao que eu havia dito inicialmente, que as leis são, inescapavelmente, a imposição, de uma forma ou outra, de determinados sistemas de valores. Quando Pedro fala nos “malfeitores” e nos que “fazem o bem”, isso inescapavelmente remete à um sistema moral que irá determinar o que é o “bem” e o que é o “mal”. Quando Isaías fala, “Ai dos que decretam leis injustas” (Is 10:1) e o Salmo questiona, “Porventura o trono de iniqüidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei?” (Sl 94:20), isso inescapavelmente remete que as leis precisam refletir um sistema moral específico, que é o prescrito por Deus, pois eles são os ministros de Deus e Deus é o único que pode determinar o que é o bem, o que é o mal, o que é o mal. Se Deus reclama de leis iníquas, segue-se necessariamente que as leis precisam refletir padrão de Deus, pois a reclamação dEle, não é arbitrária, mas baseada em Sua própria regra de justiça.

            [continuo abaixo]

          • Frank Brito

            2. Sim, se por “cristão”, você pergunta se eu creio que as instituições políticas e as leis devem ser reguladas segundo o padrão moral do Cristianismo, explicitamente reconhecidas como estando sob o domínio e jurisdição de Jesus Cristo. Elas devem, pois, como eu argumentei acima, os magistrados são ordenados por Deus para serem seus mininistros, Deus vê as leis como iníquas ou não, com base em sua própria regra de justiça e, como o Salmo 2 explicitamente avisa, é obrigação dos reis e juízes se submeterem a Jesus Cristo.

            Considerando isso mais amplamente, a Bíblia mostra que, quando Deus chamou Abraão, ele o chamou para que “nele fossem benditas todas as nações da terra” (Gn 18:18). A partir daí, Ele formou a nação de Israel, que foi formada para ser uma que o serviria, pactuada com Ele. Mas nunca foi a intenção de Deus que Israel somente o servisse e fosse pactuada com Ele, andando em justiça. Desde o princípio, Sua intenção foi que Israel fosse a primeira chamada, mas não a única chamada. Por todo o Antigo Testamento, vemos, a partir das promessas messiânicas, que, mediante a vinda de Jesus Cristo, Deus confirmaria as promessas e chamaria as nações gentílicas para que pactuassem com Ele, assim como havia acontecido com Israel. Assim como Israel foi chamado para ser uma nação a serviço de Deus, edificada sobre a justiça, as nações gentílicas também foram. Alguns dos muitos textos que ensinam isso:

            “Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra”. (Salmo 2:8-10)

            “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído”. (Daniel 7:13-14)

            “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. Assim diz o SENHOR, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que a nação abomina, ao servo dos que dominam: Os reis o verão, e se levantarão, como também os príncipes, e eles diante de ti se inclinarão, por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu”. (Isaías 49:5-7)

            Deus começou a cumprir essas promessas em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar a sua destra, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Cristo, desde então, reina e governa sob todas as coisas, como o Messias prometido e continuará a fazê-lo “até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés”. (Sl 110:1, At 2:35, Hb 10:13) A Cristandade na história, quando as nações reconheciam abertamente essa verdade, foi, em grande parte, a manifestação visível deste Reino. O Seu Reino chegará a Sua plena consumação somente em Sua Segunda Vinda, mas, até lá, Ele cresce e se expande sobre a terra, entre as nações e, como parte dessa expansão, os estados do mundo se submetem a Ele, na exata medida em que prometeram os profetas.

            Na prática, isso significa que as instituições políticas e as leis devem ser reguladas segundo o padrão moral do Cristianismo, explicitamente reconhecidas como estando sob o domínio e jurisdição de Jesus Cristo. Assim como era em Israel no Antigo Testamento, entre as nações gentílicas agora, elas são às vezes mais fiéis, às vezes menos fiéis a essa obrigação. Mas nas vezes em que são menos, a obrigação não é diminuida ou anulada.

            Alias, se pegarmos uma nação como a Inglaterra e compararmos com o que Israel foi no período do Antigo Testamento, veremos que a nação da Inglaterra foi pactuada por mais tempo e influenciada pelas leis de Deus muito mais do que Israel jamais foi. Israel, pela maior parte de Sua história no Antigo Testamento, foi uma nação muito mais religiosamente pluralista e relativista do que a Inglaterra foi em toda sua história desde a ascensão do Cristianismo.

            Sobre o padrão moral, nós Reformados, assim como eu creio ser verdade sobre os Luteranos e os Protestantes históricos de forma geral, cremos que o padrão moral que Deus exige se encontra resumido no Decálogo. Com base nisso, creio que as leis devem refletir os princípios que encontramos no Decálogo.

            Por hora, paro meus comentários por aqui, para não ficar muito longo. Depois que você ler e confirmar que entendeu o que eu procurei dizer até aqui, eu prossigo.

            A Paz de Cristo!

          • Alexander Stahlhoefer

            Obrigado Frank,

            Entendi perfeitamente a questão. E novamente posso dizer, também creio ser desejável que um estado seja regido por leis justas e boas, que promovam uma moral e ética tal como a temos revelada nas Escrituras.
            Agora me surgem duas outras perguntas sobre a compreensão teonomista:
            1. Como se dá esse avanço da moral cristã num estado? Por meio da evangelização? Engajamento político dos cristãos para mudança das leis?
            2. Podemos exigir de pessoas não cristãs que tenham atitudes cristãs com base na coerção da lei? A lei tem poder de exigir uma moral que não vem de dentro?
            Abraço

    • Julio

      Esclarecedor Frank Brito, o espantalho ficou evidente!

  • Alexander Stahlhoefer

    Olá Julio,
    Poderias ser mais específico com relação a este espantalho? Aprovei a publicação da imagem pois acredito que devo dar liberdade ao contraditório, mas ainda não compreendi o que se quer com ela.
    Abraços