Contraponto – Precisamos falar sobre BLACK MIRROR – Especial #01

 

Black Mirror, em sua 3ª temporada pela Netflix, nos entrega em 6 episódios uma reflexão sobre a natureza humana e faz uso da tecnologia como ferramenta narrativa. Porém, algumas perguntas ainda não foram respondidas.
Neste episódio especial do CONTRAPONTO Abner Melanias convida Ivandro Menezes (OsCabraCast) e Erlan Tostes (MundoAfora) para pensar e tentar responder algumas questões que surgem depois de assistirmos essa produção.

MINUTAGEM
Comentários gerais sobre Black Mirror 03min18seg
Ep1. Queda Livre (Nosedive) 14min55seg
Ep2. Versão de testes (Playtest) 35min48seg
Ep3. Manda quem pode (Shut Up and Dance) 43min40seg
Ep4. San Junipero (San Junipero) 58min35seg
Ep5. Engenharia Reversa (Men Against Fire) 01h15min
Ep6. Odiados pela nação (Hated in the Nation) 01h34min
Considerações finais: 01h49min

CLUBE DO CONTRA: https://goo.gl/HSAk1S

Assine o feed do CONTRAPONTO: novo podcast da família Bibotalk, clique aqui!

Arte por Marcelo Nakasse

BTLERO sobre as 2 primeiras temporadas: http://bibotalk.com/podcast/btlero-005-black-mirror/


Categorias: Contraponto,Podcast

Tags: ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

  • Que legal episódio extra sobre Black Mirror. Só que tive que parar no meio porque não assisti tudo ainda. Tá guardado aqui pra ouvir o restante depois.

    Black Mirror tem cada episódio que é um soco na cara. Às vezes termino de assistir e fico me perguntando se aquilo que vi é um reflexo das minhas próprias atitudes. Porque, se for, quero mudá-las com urgência.

  • Cacau Marques

    Aiai… Que vontade de passar uma semana só discutindo Black Mirro! hahahahaha

    Ótimo episódio, manos. Quero participar do debate com esse meu comentário aqui.

    Sobre Nosedive, preciso discordar do Erlan e dizer que pensar num mundo libertário onde esse sistema emerge não é “viajar muito”. Pelo contrário, acho que essa ideia se aplica realmente por vir de fora de uma imposição estatal. O sistema segue o que já acontece em serviços que burlam as regulamentações governamentais, como Uber e Airbnb. A avaliação de serviço e cliente hoje vem da economia do compartilhamento e não de uma tendência governamental. Ou seja, o mundo de Nosedive é de Estado mínimo, não máximo. Isso não é em defesa do intervencionismo, de forma alguma. Man Against Fire, por exemplo, me parece uma distopia terrível em que a maldade é imposta por um governo centralizado e xenófobo. Sobre a percepção de que o serviço está confundido com a pessoa, achei sensacional. É isso mesmo. Inclusive, rola um paralelo indireto com Be Right Back. Lá, o android é a encarnação de suas redes sociais. Aqui a moça é uma personificação de seu perfil. O perfil virtual se apossou da personalidade real. Lacie não é mais viva que o android o android de Ash. Eles estão realmente despersonificados. Essa oposição entre Realidade x Aparência é o tema mais recorrente na série e aparece em muitos outros episódios.

    Sobre San Junipero eu discordo de vocês. Pra mim, a intenção era dar um final feliz para o episódio sim. E aí volto à discussão da realidade. No episódio “Fifteen Million Merits” (S01E02) o protagonista diz que o relacionamento dele com a cantora era a coisa mais real que ele tinha descoberto. E essa ideia vai reaparecendo em alguns outros episódios, mas com menos força do que nesses dois episódios. Em San Junipero nada é real. Ali a maioria já está morto e busca se dedicar à festa infinita tentando sentir algo. A Kelly (Gugu Mbatha-Raw) não quer transferir sua consciência justamente por essa falta de realidade. Mas, de repente, ela reconhece o amor. E é a permanência do amor que faz com que a San Junipero delas seja mais verdadeira do que a vida de fato, onde está o corpo físico. Assim como o Bing de “Fifteen Million Merits” só descobriu o que é verdadeiro quando passou a amar, as meninas de San Junipero podem prescindir de toda realidade que ainda assim o amor delas continuará “realizando” o virtual.

    Vale lembrar que no episódio Be Right Back a filha do casal não é criada pelo android. As visitas ao sótão são limitadas aos fins de semana (a visita no aniversário foi uma exceção) e o episódio termina com o android do Ash preso exatamente onde se guardam as recordações dos mortos. Ou seja, o android não é o amado falecido, mas uma recordação dele, como uma fotografia que representa uma imagem congelada de um momento, sem, contudo, dar conta de representar a realidade completa (a foto dele criança parece divertida, mas o dia em que a foto foi tirada não foi nada divertido, lembra?).

    Abraços, amigos.

    • Grande Cacau. Que pena que não participou desse episódio do Contraponto, mas eu imagino que se estivesse, o programa teria que ter umas 5 horas no mínimo, pra caber tanta discussão interessante, haha!

      Vamos aos seus comentários.
      Quanto ao estado libertário, eu CONCORDO contigo. Só abri a possiblidade de:
      1 – Ou o Governo sancionar/reconhecer/regular aquele modelo de avaliação social
      2 – Ou a sociedade ser libertária, com mínima intervenção estatal

      A viagem a que eu me referi foi um modo de voltarmos ao debate sobre o enredo episódio, já que, de certa forma, toda conjectura sobre a estrutura daquela sociedade é uma forma de viagem. Não foi uma crítica à ideia de ser um estado mínimo, mas uma crítica à minha abordagem de análise durante a gravação do podcast.

      Inclusive, posto este ponto de concordância, um segundo debate poderia surgir aqui.
      Na prisão, Lacie foi privada não só de sua liberdade, mas de seu dispositivo ocular também, o que me faz imaginar que aquela tecnologia poderia ser estatal (ou não, preciso pensar melhor hahaha)

      Sobre San Junipero, também concordo que a intenção é de fazer um final feliz. Aqui nessa entrevista, a Gugu e o Charlie Brooker decupam o episódio e dão a entender isso mesmo.
      http://collider.com/black-mirror-san-junipero-explained-netflix-interview/

      Mas independente do que se pretendia, a análise no podcast foi feita sobre o que se pode concluir dos episódios. E nesse caso específico, achei sim mais aterrorizante do que feliz, até porque felicidade pressupõe satisfação do indivíduo e não acho que conjuntos de bits, que emulam comportamentos e simulam cenários sejam indivíduos, tampouco possam amar.

      A não ser que toda o conceito de transcendência seja de fato real, inclusive a necessidade de descartar o imaterial/espiritual na natureza humana.
      Se esse pressuposto for verdadeiro, então sim, concordo contigo. A identidade das duas migra perfeitamente para a consciência virtual de San Junipero e ambas são plenamente elas mesmas.
      Por mais que essa tenha sido a intenção do episódio, ainda me apavora.

      Quanto ao Be Right Back, falha minha. A cena final do aniversário da filha de fato não é o padrão de convivência. Boa observação sobre o local onde o androide estava, não me lembrava.

      Abraço!

    • Jonatha Zimmer

      Assino com o relator Cacau Marques sobre o Nosedive. Não creio que seja necessário uma intervenção estatal pra serviços usarem “reputação” como critério para benefícios.

      Não gostei muito do San Junipero, mas um ponto que me chamou a atenção foi se era possível as pessoas possuírem avatares diferentes aos que elas são/foram no mundo real.

      Parabéns pelo programa.

  • Agora fica uma pergunta:
    POR QUE EU FUGI POR TANTO TEMPO DE BLACK MIRROR?

    me diz?

    preciso assistir urgente..

    aliás, esse episódio só me fez ficar com mais saudades do Contraponto… dia 05/01/2017 precisa sair a segunda temporada, por favor
    uhasuhsauhasuhas

  • Marcelo Nakasse

    Wow, sobre San Junipero, parece que o pessoal se conectou com a minha mente. O final talvez seja feliz se nós pudéssemos olhar a partir de um ponto de vista de alguém inserido num mundo em que exclui-se qualquer ideia de vida após a morte. As pessoas, a partir da incerteza do que tem do outro lado, criaram a opção de viver eternamente em um paraíso artificial. Quando a personagem principal escolhe um amor virtualmente para sempre, ela basicamente chuta o balde em qualquer possibilidade de ver a filha após morrer, ela não tem mais esperanças, ela se dispõe a não prospectar mais no que tem após a morte. San Junipero pode ser artificial em BM, mas é palpável, é um simulacro dos prazeres da nossa vivência terrena e nesse final esse gozo de sensações é o que vale e é onde as pessoas que querem se agarram.

    E aí? Surgem dúvidas a respeito da própria noção de alma. O que está em San Junipero pode ser descrito como alma ou consciência, ou seria apenas um conjunto de informações que apenas “pensa” ter existido outrora? Será que enquanto esse “fantasma virtual” vive dentro de um servidor, a verdadeira alma teve seu inevitável destino?

    • Marcelo, esse é um debate que vai loooonge viu.
      Dava pra passar uma tarde tomando Dollynho e discutindo sobre essas implicações.

      Eu imagino que para aquela sociedade, o materialismo estrito seja ponto pacífico, não havendo espaço para espiritualidade.

      Outro debate legal, que não abordamos foi o utilitarismo coletivo que legitima a eutanásia como algo natural, tornando os conflitos morais obsoletos (talvez uma consequência lógica do materialismo).
      Abraço.

  • Eduardo Azevedo

    Muito bom esse podcast, comcordo com o Cacau M. com relação ao episódio Be Right Back a filha do casal não é criada pelo android. Mas discordo no final do episódio San Junipero, acho que é um falso final feliz, onde as pessoas morre de verdade, e o que sobra é apenas o que foi registrado no implante que a pessoa tinha, dai é passado as informações para o servidor, afim de encorajar mais, outros a tomarem a mesma atitude de se matar para pensarem que vão viver a eternidade ali.

    • Eduardo, valeu pelo comentário. Como eu falei ao Cacau, também te respondo: Vcs estão certos. Me confundi com o final de Be Right Back.
      Novamente, muito obrigado pela participação! Abs.

  • Ótimo episódio. Sobre o Nosedive, acredito que vai além da tecnologia. A própria sociedade é assim! Para “ser alguém” na sociedade precisamos fazer coisa, ou ter coisa, ou ser alguém com posição de destaque. As pessoas já julga pela aparência e já tem preconceito. A diferença é que não é através de notas.

    E o Men Against Fire me lembrou muito o nazismo…

    Eu curti essa temporada. Acredito que as críticas são interessantes 😉

    Abraço
    EddieTheDrummer (PADD)

  • Wélica

    Amei o episódio. Obrigada por discutirem esse tema. Black Mirror é uma daquelas séries que a gente precisaaa discutir mais, ouvir mais, refletir mais depois que assiste!
    Gostei dos convidados também!! O Ivandro sempre acrescenta muito às discussões, gosto de ouvi-lo falar.

    De maneira geral, gostei de todos os episódios, cada um de uma forma diferente. Alguns não gostei muito do ritmo, e da forma como foi construído – talvez pelo gênero/estilo que não me identifico muito, mas a crítica falou alto então valorizo, e não tem como desgostar. Como é o caso de Playtest e Men Against Fire – que, ironicamente, pode até ocupar o primeiro lugar no ranking pra mim. rs Só Black Mirror mesmo… hahaha

  • Silvana Oliveira E Silva

    Caras… Uma discussão sobre Black Mirror. Vou fazer um textão pra cada episódio kkkkk
    Brincadeira (ou não…)

    O que me chocou com essa temporada é que, em contraste com a distopia da série, todos os universos citados em cada episódio são perfeitamente possíveis e já presentes no mundo real, em algum grau.

    – Em Nosedive, ao invés de serviços, pessoas são avaliadas. Hoje avaliamos as postagens que as pessoas fazem, suas frases, e essa interação já é muito próxima do que há no mundo do episódio.

    Sobre a paleta de cores, é uma coisa muito simples. O padrão rosado com azul claro dá uma noção mental de um mundo idealizado, com um padrão. Ali as pessoas são “certinhas”, há um código moral próprio, e os que melhor usufruem do código tem mais serviços. Uma voz mais alta, um palavrão, discutir e dizer a verdade, tropeçar em alguém, se tornam ofensas ao código moral. Para quem “habita” a rede social, o ponto negativo, o “não curti” vale muito mais do que a curtida, e pessoas vivem perseguindo isso. A protagonista se esforça por seguir os códigos e cai por não se contentar com o que tem, e com a ambição de chegar no topo. Mas há a libertação ao chegar no fundo do poço. Porém, a paleta de cores tanto na cena da caminhoneira quanto na prisão é cinza, nos repele. Porém ali é onde há a liberdade. A reflexão que fiz ali é sobre as amarras sociais (presentes desde que o homem resolveu ser civilização) maximizadas pela tecnologia.

  • Silvana Oliveira E Silva

    Em Playtest, eu vi como a armadilha do experimento inesperado (no mês passado 8 pessoas tiveram complicações muito graves, 1 com morte encefálica, testando um tratamento para Alzheimer em Portugal), mas sobretudo, a hierarquia dos medos. Os medos de criaturas, os medos da infância, o medo da traição, o medo da conspiração, e por último, o medo da doença de Alzheimer.
    Os descendentes de pacientes com Doença de Alzheimer, sobretudo aqueles que desenvolveram a doença precocemente, tem um pavor extremo de desenvolver a mesma patologia de seus pais. Eu já me deparei inúmeras vezes com a pergunta “Qual a chance de eu também….?” É um terror que acompanha a pessoa continuamente. E também é comum um dos pais falecer e num tempo muito próximo o proxy emergir seus sintomas, o que não cabe aqui explicar. Então o maior terror é um medo real de pessoas que hoje vivem entre nós. E mesmo com o diagnóstico precoce e a possibilidade de testes genéticos, não há nada a ser feito, exceto tentar criar reserva cognitiva. É um pesadelo que as pessoas vivem. Então o episódio tocou numa coisa presente, prevalente e coerente com a realidade da humanidade atual. Mais humano impossível.

  • Silvana Oliveira E Silva

    Shut up and Dance. Confesso que foi o episódio que me deixou com mais embrulho no estômago. Vocês já falaram tudo. Eu já coloquei uma etiqueta sobre a minha Web cam. Nunca se sabe… Não quero selfies minhas sem maquiagem vazadas na internet hahahah
    o que vc faria para não ter a intimidade vazada? Ah, tem muita gente que aborta, que rouba, que mata, e por aí vai.

  • Silvana Oliveira E Silva

    San Junípero. Cara, esse episódio me incomodou muitíssimo. Fiquei encucadíssima.
    O Erlan falou sobre transcendência. Eu falaria de finitude.
    O fim é o maior drama humano. As pessoas sabem que a morte é uma certeza, mas não querem morrer. E ninguém está preparado para a morte. Ninguém. Nem os que levam meses se preparando. Morrer é muito ruim.
    San Junipero é o antídoto contra a finitude? Na verdade é um anestésico, pois não é um novo mundo, com progressão, construção. É só uma grande festa, como nos tempos da adolescência, quando a frase “amanhã tenho que trabalhar” não existe. É o fim das responsabilidades.
    Realmente é aterrorizante. Tanto que o muitos vão parar naquela boate underground sinistra. Na verdade a “existência” (se é que existe) vai se degradando, porque o simples viver pelo prazer dos sentidos e o compartilhar sem construir vai se degenerando dentro do ser.
    Concordo com o Erlan. As pessoas não querem encarar a realidade do sofrimento na vida. Ninguém quer. Por isso proliferam as drogas, lícitas ou ilícitas. O que são todas elas? Apenas um pequeno e momentãneo San Junipero.
    A ideia dos roteiristas de colocarem protagonistas idosas foi genial. Idosos tem uma carga profunda de experiências. Só uma controvérsia: no caso da primeira “eutanásia”, eu taxaria de suicídio assistido, visto que ela vivia com grave déficit, mas não estava em processo de morte. Já a segunda morte foi por uma eutanásia, pois o processo de morte que se instalou foi acelerado a sua conclusão. Mas até entre bioeticistas há essa discussão.

  • Silvana Oliveira E Silva

    Men Against Fire. Muito mais próximo do real do que pensamos….
    O exército americano é talvez o mais avançado do mundo em inovação tecnológica em campo. O soldado americano tem um uniforme que já se tornou armadura, e uma estrutura que lhe permitiu suportar as condições extremas, principalmente após a “Tempestade no Deserto”. Eu assisti a uma palestra sobre os aperfeiçoamentos em Medicina Militar do USA Army e, embora não tenham (ainda) implantes cerebrais, essa ideia do super soldado é uma realidade muito próxima.
    E uma guerra eugênica já é uma possibilidade. Países como Holanda e os Escandinavos já decidiram pelo armazenamento de material genético de seus habitantes, coletado ao nascimento. Estudei esses tópicos na cadeira de Bioética durante o mestrado, porque existem 2 questões emergentes: 1o Há pessoas adultas com material genético armazenado em laboratórios, pessoas que não consentiram na época da coleta; 2o Qual a utilidade de se obter informação sobre perfil genético e risco de doenças, quando não temos tratamento disponível para a maioria delas? em Bioética, tendemos a recomendar não investigar o que não se pode modificar.
    Mas então… porque esses países tem feito isso? E qual a utilidade que isso terá então? Tcham Tcham tcham Tcham
    Por exemplo. Estamos muito próximos de desvendar os mecanismos genéticos que estão por trás de 2 patologias incuráveis e de grande sofrimento: a esquizofrenia e a esclerose lateral amiotrófica. Duas patologias que não tem cura hoje, e cujo tratamento provavelmente será custoso ao extremo. Duas minorias. E os dados genéticos de pessoas com essas patologias estão nas mãos de alguns governos.
    Já aconteceu. Os nazistas usavam características antropométricas para selecionar quem deveria viver e quem deveria morrer.
    O novo nazismo será com base em triagem genética. Falta muito pouco.
    Apavorante.

  • Silvana Oliveira E Silva

    Hated in the nation. Filme de Terror.
    Confesso que não entrei no Facebook depois que assisti kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Estamos sendo monitorados, vigiados, abordados, checados e marcados na internet todo o tempo. E não nos damos conta. Podem usar isso para entrar na minha conta e roubarem meu dinheiro. Mas e se me seguirem para me fazerem algum mal?
    Parece irreal? Cada vez mais pessoas são atraídas para armadilhas criadas na internet.
    A diferença é ser algo automático e aleatório, criado por uma hashtag (tenho evitado usar o “jogo da velha”, nunca se sabe)
    E se um programa decidir apagar os dados de todos que postarem a (jogo da velha) X?
    Para muitos será como morrer.
    E a migração da mosca para a amígdala cerebral foi algo que chegou ao ápice da crueldade. A sede do sistema límbico, a sede de nossas emoções, o centro da dor. Vi como um caráter de crueldade perturbador e apavorante.

    Mas… hoje penso que, se tudo o que fizéssemos no mundo virtual fosse materializado no real, seria um genocídio.

  • Marcelo Bittencourt

    Questões da San Junipero:

    Me parece que o episódio coloca a possibilidade de transferência de Alma/Consciência para os bits, não parece que são apenas bits, mas a própria pessoa. Como se fosse possível transferir a alma do corpo para um outro objeto.

    Outra coisa, o final é um final-falso-feliz: lembra que a morena uma hora pergunta para sua parceira se ela gostaria de viver num mundo de felicidade contínua e que acabaria naquele bar-louco onde as pessoas viviam se mutilando para terem algum sentimento mais real? Que a felicidade constante não daria conta de um mundo real, e que o paraíso então se transforma em um inferno.

    O ser humano é um ser desejante, e viver nesse falso-paraíso, ainda assim tem um limite. Depois que todas as experiências forem postas, ainda haverá um vazio a ser preenchido, um desejo a ser saciado (C. S. Lewis vai falar disso em Cristianismo Puro e Simples). No hq Sandman, o Neil Gaiman diz que o Desejo (personagem que representa um tipo de deus) vive nos limiares.

  • Marcelo Bittencourt

    Engenharia reversa
    Acho que foi de propósito que eles colocaram o nome do dispositivo como “máscara”. Geralmente a máscara faz com que a gente fique desfigurado, ou se torne outro alguém artificialmente.
    Será que quando pomos máscaras, ao invés de nos desfigurarmos, estamos desfigurando os outros?
    Quando nos tornamos um outro alguém, de maneira artificial (ou seja com a intervenção das mãos humanas), nos colocamos o diferente como um inimigo?
    Será que as ideologias funcionam como essa máscara?
    Será que o Evangelho não é a engenharia reversa que nos arranca essa máscara, e faz-nos ver o nosso inimigo como um igual?

    • Excelente reflexão sobre o Evangelho.
      Tem ouro nessa mina! Podemos explorar essa analogia mais ricamente.

  • Ciro Lima

    Muito da hora essa série.. e as discussões do podcast foram à altura ! Tive que escutar o podcast em partes assim como a série mas valeu a pena mesmo. Não da pra escolher qual episódio é o melhor assim como as ideias analisadas .
    Eu tbm queria fazer textão de cada episódio mas o pessoal já está complementado muito bem as ideias ! as questões que eu tinha tbm já estão sendo expostas e depois do último episódio da série quero me expor cada vez menos nas redes sociais kkkkkkk e nunca mais vou mexer com abelhas kkkkk.

  • Alexandre Ferreira Santos

    Tirésias, cuja grande fama se espalhara pelas cidades da Aônia,
    dava respostas infalíveis às pessoas que o consultavam.
    A primeira a experimentar a veracidade de suas palavras
    foi a cerúlea Liriope, que outrora o Cefiso enlaçara
    nas curvas de seu curso, e, uma vez presa, a violentara.
    Belíssima, engravidou-se e deu à luz um filho,
    já então digno de ser amado pelas ninfas, a quem chamou Narciso.
    Consultando a seu respeito, se o menino viveria muito,
    se teria uma velhice prolongada,
    o adivinho respondeu: “Se não se conhecer”.
    #overrated XD
    https://uploads.disquscdn.com/images/83b42cc0caaf100f748be6f4b319a643f82f7811a303916a770b7b1f08f3a680.jpg

  • André Lopes

    Caras, muito bom o episódio, espetacular a série Blackmirror! Achei a conversa muito legal, Daria pra fazer vários episódios para comentar tantos pensamentos que essa série desperta. Cinco estrelinhas pra vocês!