Unfollow Old Man!

Ao ler alguns rascunhos de Agostinho (de Hipona, não o da grande família), Lutero e estudar um pouco a antropologia bíblica, fiquei bem consciente de quem é o ser humano. É muito claro para a teologia a condição depravada e caída do ser humano: “não passamos de sacos de vermes” como dizia o reformador. Somos maus por natureza!
É sempre importante o ser humano reconhecer sua miséria e condição de pecador, só assim ele entende a graça! Porém, por mais consciente que esteja do seu estado decaído, ele precisa também entender que esse lado decadente não o define por completo, ainda que mais forte, é verdade, não é dominante. Depois que esbarra com Cristo nas esquinas da vida, o ser humano muda de direção (metanóia), ele começa a se tornar uma nova criatura. E, ainda que o velho homem o acompanhe na jornada, o novo homem também caminha junto.
É preciso então atentar para esse detalhe: eu sou mau, mas em Cristo, posso ser também bom. Repito: Em Cristo! Penso que a graça de Deus, esse favor imerecido, nos motiva a vivermos de maneira íntegra e diferente dos demais. Tito 2.11-12: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente.”
Jesus expressa no sermão do monte que seus discípulos são a luz e o sal da terra. Ele diferencia os que o seguem do mundo. Mas ser diferente e produzir boas obras não é tarefa que o ser humano consiga produzir sozinho. Viver a partir do novo homem só é possível com a dinamização do Espírito Santo. Deixo bem claro, não estou falando aqui de uma forçinha do alto para conseguirmos salvação, longe de mim sinergismo! Estou falando que a obra de Deus realizada em Cristo, de antemão já preparou boas obras para que andássemos nela (Ef. 2.10). Salvo para boas obras, não por elas!
É tempo de tirarmos o foco do velho Adão e olharmos para o novo Adão. Não olhar para aquilo que eu sou, mas aquilo que eu posso ser em Cristo. Se ficarmos toda hora nos escondendo atrás do fato que somos pecadores, maus e nada de bom podemos fazer, viveremos parte da nossa vida. Mas se reconhecermos tudo isso, de que somos maus, pecadores fedidos e de moral extremamente duvidosa e olharmos para a graça preciosa, não seremos somente isso!
“Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo”.
“Lutero recebera a graça preciosa. Graça, por ser água sobre a terra sedenta, consolo na angústia, libertação do caminho auto-escolhido, perdão de todos os pecados. Graça preciosa por não isentar ninguém da obra, antes chamando com insistência ainda maior ao discipulado”.[1]
Por Rodrigo Bibo de Aquino
Twitter @bibotalk



[1] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 7. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2002. p. 10; 13.

Categorias: Reflexões,Textos

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  • Anonymous

    Paz e Graça!!

    Sinceramente, o texto é muito bom (ainda mais eu sendo calvinista).

    Lutero era forte defensor da deprevação total do homem (diferentemente dos atuais luteranos, pois Melanchton virou essas doutrinas após a morte de Lutero).

    Mas, a questão é até onde vcs afirmam a depravação humana? É total (calvinistas e arminianos clássicos) ou parcial (arminianos atuais)?

    Pela fé, eu vejo Lázaro em estado de decomposição. Lendo o texto bíblico, a unica coisa que posso dizer é que Lázaro estava morto (totalmente morto) e não que estaria semi-morto ou que havia alguma conexão cerebral que o mantivesse com condições de raciocinar e pensar. A história todos sabem: Lázaro veio a vida por Jesus, não porque ele pudesse ou tivesse a oportunidade para tal feito.
    Eis um texto muito prático!
    "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Efésios 2.1)

    Mas, vcs creem que apesar do homem ser depravado, ele tem a faculdade própria de escolher Deus sem a atuação do Espirito Santo. Que o homem possui o "livre-arbitrio" e esse tal pode a qualquer tempo voltar-se para Deus. Em termos lógicos, o homem pode escolher a vida (Deus) em qualquer momento.

    Falow!

    Sola Gratia!