Jeremias 7:1-7 e o discurso do templo

Por Alexandre Milhoranza

Exegese de Jeremias 7:1-7: O discurso do Templo

1. Introdução

O desenvolvimento do trabalho exegético em Jeremias apresenta alguns desafios maiores quando comparado a outros profetas. Um desses desafios está na ampla gama de estilos literários adotados por Jeremias. Seus oráculos podem ser encontrados sob a forma de prosa, poesia, narrativas biográficas e discursos diversos. Somado a essa complexidade literária há também o desafio teológico, pois seu conteúdo se assemelha muito com o livro de  Deuteronômio e à História Deuteronomista desenvolvida nos livros de Josué a 2 Reis. Por isso, alguns eruditos afirmam que o livro pode ser uma composição pós-exílica. Por fim, a história textual de Jeremias apresenta problemas entre o texto hebraico e o grego. A versão da LXX, o texto grego do Antigo Testamento, é menor do que a versão massoreta da Bíblia hebraica. Além disso, a disposição de alguns textos é diferente entre as duas versões. Algumas evidências de Qunram levam os pesquisadores à conclusão de que a LXX foi traduzida a partir de um texto hebraico mais curto.

Mesmo a despeito de todas essas dificuldades este trabalho tem o objetivo de produzir a exegese da perícope que se encontra em Jeremias 7:1-7 cujo tema principal é a falsa religiosidade diante das verdadeiras exigências de Javé.

2. A delimitação da perícope

A partir do verso 8, embora o profeta ainda fale sobre o engano da falsa religião, o texto inicia um apelo histórico sobre o comportamento religioso de Judá. O fato do verso iniciar com um imperativo « הנה » [hinnêh] favorece essa divisão semântica do texto. Ao dizer « Vejam » o profeta chama a atenção do povo para os desdobramentos da quebra da Aliança. Por isso podemos isolar esta perícope sem mutilar a intenção primeira do autor.

Portanto, o trecho escolhido está delimitado pelos versos 1 e 8 do capítulo 7 que abordarão a insustentabilidade da confiança no Templo apenas como um símbolo religioso de uma religião hipócrita.

3. Gênero literário

O gênero literário da perícope em questão é o discurso pois, conforme  Fohrer afirma,  o orador convocava uma assembleia do povo para ouvir a exposição dos temas relevantes para este povo[2]. O verso 1 deixa este procedimento claro, pois coloca Jeremias de frente para o povo, às portas do Templo de Jerusalém. Embora Jeremias não tenha convocado uma assembleia solene, a autoridade para a declaração deste discurso vinha do próprio Deus. Ademais, o tema era pertinente, pois tratava da quebra da Aliança por parte do povo e do julgamento por parte de Javé.

Este trecho pode também receber a classificação de parênese, pois, trata-se de uma repreensão moral. Entretanto, para Holladay, esta perícope se situa dentro do estilo do discurso da Aliança, cuja formulação encontra-se em Deuteronômio[3] conforme veremos a seguir.

A perícope em questão está inclusa dentro do grande trecho de Jeremias 1-25 que é classificado por Thiel como uma composição de um editor deuteronomista, embora Weipert afirma ser possível diferenciar a prosa de Jeremias da prosa de Deuteronômio apesar de concluir que Jeremias não tenha sido o autor integral do texto[4]. McKane é mais cuidadoso no trato do texto e afirma que é perigoso afirmar a existência de um editor deuteronomista justificando que não há uma sistematização literária definida neste trecho[5]. Stulman diz que, embora seja provavelmente verdade que o discurso oracular é a “essência da profecia”, os textos proféticos da Bíblia foram preservados como literatura e não apenas como um discurso oracular. O movimento da oralidade à escrita removeu a profecia de seu ambiente vivencial para recontextualizá-la nos âmbitos literários[6].

4. Estrutura do texto

Neste trecho Jeremias emprega em seu discurso  a denúncia dos pecados da nação de Judá (cf. Jr. 7:6), embora esta denúncia esteja mesclada com um discurso de esperança sobre a restauração que o arrependimento traria. O chamado ao arrependimento é a primeira parte do discurso de Jeremias após as credenciais que ele apresenta no verso 1 e após a fórmula de atenção.

A perícope se organiza em 4 parágrafos e pode ser estruturada da seguinte maneira:

« Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:

“Fique junto à porta o templo do Senhor e proclame esta mensagem: ” ‘Ouçam a palavra do Senhor, todos vocês de Judá que atravessam estas portas para adorar o Senhor.  Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, eu os farei habitar neste lugar. Não confiem em palavras enganosas: “Este é o templo do Senhor, o templo do Senhor, o templo do Senhor! “

Mas se vocês realmente corrigirem a sua conduta e as suas ações, e se, de fato, tratarem uns aos outros com justiça,  se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva e não derramarem sangue inocente neste lugar, e se vocês não seguirem outros deuses para a sua própria ruína

Então eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos seus antepassados desde a antiguidade e para sempre ».

O primeiro parágrafo é composto da fórmula de autoridade. Jeremias não estava dizendo suas próprias palavras, mas as palavras de Javé. Uma vez que, no segundo parágrafo, Jeremias se dirige àqueles que estavam chegando ao Templo para adorar ao Senhor é plausível que ouvissem ao profeta que falava em nome da divindade objeto de culto.

A seguir, no segundo parágrafo, Jeremias deve se colocar à porta do Templo para declarar seu discurso. O templo representava para o povo judeu a própria presença de Deus entre o povo, por isso seu discurso se torna tão emblemático já que aqui inicia-se o sermão contra a estrutura religiosa em detrimento da compaixão e caridade que serão descritos no terceiro parágrafo. Após o emprego da fórmula de atenção, « Ouçam a palavra do Senhor», Jeremias começa seu discurso com a introdução profética « Assim diz o Senhor ». Jeremias dizia ao povo que não era ele o autor do discurso.

O texto do discurso inicia-se afirmado que o arrependimento dos pecados traria a benção da possessão da terra ao mesmo tempo que adverte sobre o fundamento religioso equivocado. O termo « neste lugar » provavelmente refere-se a Judá ou Jerusalém como a Terra Prometida, e não necessariamente ao Templo. Além disso, a possessão da habitação está condicionada à obediência aos mandamentos de Javé como em Deuteronômio (6:18; 7:12; 8:1; 11:8; 16:20; 19:8)[7]

A repetição tripla da expressão « o templo do Senhor » pode indicar a grande importância que o templo tinha para o povo de Israel e a segurança encontrada nele. Esta conclusão se aproxima do uso litúrgico da tripla repetição do termo « Santo » referindo-se a Javé. Entretanto de acordo com Herrmann o uso tríplice da expressão se aproxima mais das fórmulas de encantamento babilônicas[8] indicando uma possível influência caldeia no texto profético.

O terceiro parágrafo utiliza o recurso da repetição, amplamente usado na literatura hebraica, mas, agora, com requerimentos específicos que lembram os termos da Aliança desenvolvidos mais tarde neste ensaio. A verdadeira religião não estava fundamentada no ritualismo centralizado em um lugar como pensavam os judeus, antes era mostrar compaixão e amor pelo próximo e desenvolver uma sociedade baseada na justiça conforme determinava as estipulações da Aliança. Além disso, o discurso retoma o tema da idolatria, que, embora não negasse a existência de outros deuses, proíbe terminantemente a adoração e culto a qualquer divindade que não fosse Javé

O trecho termina com a utilização do recurso da repetição da promessa de habitação permanente mais uma vez, indicando, mesmo neste tempo sombrio, a verdadeira segurança, encontrada somente na obediência às determinações deuteronômicas. A palavra profética não inclui somente a acusação dos pecados nem a declaração do juízo, mas abrange também a promessa de restauração.

Notamos que, nesta perícope, as advertências para cumprirem os termos da Aliança estão contidas entre as repetições de um dos benefícios da Aliança, a saber, a possessão perpétua da terra contida na expressão « וְ[9] שִׁ כַּ נְ תִּ י  אֶ תְ כֶ ם  בַּ מָּ קם ». Neste momento do discurso ainda não há a menção do juízo, e, mesmo as advertências estão relacionadas intimamente à benção da terra. Isso se prova pelo uso da conjunção « כי » no início do verso 5, usada para indicar a relação causal entre a primeira menção da advertência no verso 3 e o uso do waw conjuntivo « ו » no início do verso 7 ligando a promessa da terra ao mesmo nível sintático[10] do começo das advertências também no verso 3.

4. Contexto histórico/strong>

O ministério do profeta Jeremias ocorreu durante o período da queda do Império Assírio, com a morte de Assurbanípal em 627 a.C., e a ascensão do Império Babilônico. Judá havia sobrevivido durante um século às investidas de cinco reis do Império Assírio. Com a derrocada da Assíria as esperanças de um estado israelita dos tempos de Davi se renovam com o crescimento de sua influência ao norte[11]. Contudo, o profeta Jeremias acompanhou o esfacelamento de Judá como um reino independente, que iniciou-se com a morte do rei Josias na batalha contra os egípcios na planície de Megido em 609 a.C. e atuou durante o reinado de quatro reis após a morte de Josias somando mais de quarenta anos de atividade profética.

Do ponto de vista político, a nação judaica vivia um período confuso, pois fora buscar o apoio do Egito em face da ameaça babilônica. Entretanto, após a batalha de Carquemis em 605 a.C., o Egito foi derrotado pela Babilônia fazendo com que Judá passasse de vassalo do faraó Neco ao domínio babilônico. No que tange à politica social a população sofria com a profunda injustiça social (7:5-6), pois era necessário pagar tributo ao Egito e, posteriormente, à Babilônia. Logo, os assassinatos, roubos e extorsões eram bastante comuns. Em relação à religião, embora houvesse a reforma promovida pelo rei Josias, a nação continuava a praticar perversões grosseiras da fé judaica, de acordo com o relato do próprio profeta Jeremias (7:18). A maior parte dos líderes religiosos, banidos durante o reinado de Josias, retornaram após a sua morte quando os ídolos cananeus, egípcios e assírios voltaram a ser adorados[12].  Além disso os israelitas tinham uma visão distorcida do Templo de Jerusalém quando alicerçavam sua segurança nele (cf. Jr. 7:4).

Jeremias testemunhou o domínio babilônico sobre Judá após a derrota da Assíria, a primeira fase da deportação dos judeus para a Babilônia e também a destruição de Jerusalém e do Templo pelas mãos de Nabucodonosor em 586 a.C.

5. Análise teológica

O profeta Jeremias em seu discurso do Templo rejeita toda a animação religiosa[13] e seu símbolo máximo representado pelo Templo de Jerusalém, pois tinha o propósito principal de servir como local de culto a Javé, cuja presença seria revelada[14]. De acordo com Eichrodt os rituais religiosos por si mesmos não poderiam criar um laço de união entre as tribos de Israel, por isso ele afirma que seria necessário um código legal que garantisse tal coesão. Champlin afirma que o templo de Jerusalém tentou estabelecer o javismo em detrimento das muitas atividades oraculares, que persistiram a despeito desta tentativa[15]. Por isso, o povo de Israel deveria ter consciência de que seu sistema de leis civis tinha como fonte a revelação do próprio Deus que os havia escolhido. Jeremias retoma os fundamentos da Aliança ao mencionar que os aspectos civis e sociais estavam intimamente relacionados às leis da adoração a Javé. Isto é, a vida religiosa de Israel não poderia estar dissociada da vida civil e das responsabilidades para com o próximo, pois o senso religioso do Livro da Aliança[16] carregava um profundo entendimento moral que demonstrava a superioridade da vida em relação a todas as demais coisas.

Entrementes, o sistema de fé hebraico, em certa medida, não diferia das demais religiões em relação à crença que a divindade se manifestava apenas em locais específicos. Isto é, o culto e a adoração a Deus deveriam ser prestados em um lugar determinado. Neste sentido, o Templo de Jerusalém tinha a conotação da imagem do santuário celeste, um vestígio da própria presença eterna de Javé entre o povo hebreu. O ataque de Jeremias foi justamente contra o orgulho do Templo e a sua falsa segurança no dia da necessidade[17]. O profeta, desta forma, segue o padrão profético clássico de romper com a ideia de um mundo hermeticamente fechado ou estático. O Templo tinha um caráter estático, transmitia uma segurança pétrea que, ao povo, não mais importavam a conduta moral ou o senso pessoal da divindade. Conforme Eichrodt, a pregação profética renovou o sentido de um senhor pessoal e soberano da história, cuja fidelidade deu-se a conhecer na aliança e na lei que haviam sido desprezadas em detrimento de símbolos inertes[18].

6. Aplicação

Esta perícope de Jeremias, que caracteriza o início do seu discurso do Templo, apresenta aos leitores modernos uma variedade de aplicações. A primeira aplicação que podemos fazer está relacionada com o arrependimento que os adoradores de Deus devem tomar. Embora os símbolos religiosos fossem importantes para a fé hebraica, o povo de Israel havia substituído o verdadeiro relacionamento com Javé pela presença inerte do templo. Jeremias, então, conclama ao povo para que se arrependam de ter substituído a relação pessoal com Deus por uma religiosidade baseada apenas no deslocamento ao Templo e na execução dos rituais sagrados. O discurso de Jeremias ainda vai mostrar ao povo que a rejeição a Javé e o culto a outros deuses causaria a ruína de Israel. Jeremias não especifica quais seriam esses deuses, mas fica implícita a ideia de que, qualquer afastamento de Javé seria perigoso para os israelitas.

Para Jeremias, que se baseia nas estipulações da Aliança, outra aplicação possível está fundamentada no amor e cuidado para com o próximo. Não seria possível cumprir os rituais sagrados enquanto houvesse injustiça social. O cumprimento da promessa da habitação estava vinculada ao amor que cada um deveria demonstrar ao seu próximo. A verdadeira espiritualidade está também atrelada a um olhar horizontal, imanente e não está voltada apenas para o transcendente.

Do ponto de vista divino sempre há um chamado ao arrependimento e uma nova chance para o ser humano. Ainda que os termos da Aliança estipulassem uma punição em caso da não obediência, Javé estava disposto a avisar o seu povo e adverti-los quanto à sua conduta.

Contudo, em seu discurso, Jeremias aponta para a consequência catastrófica que o povo de Israel sofreria caso não se arrependessem. Sua ruína seria certa. Este aspecto das palavras de Jeremias não não bem-vindas em uma geração que desaprendeu a temer a Deus. Embora Deus chame ao arrependimento e continuamente ofereça uma nova chance, Deus também pune àqueles que desobedecem aos termos da Aliança.

Outro aspecto que deve ser considerado neste discurso é que Javé estava disposto a levar a cabo sua promessa. Todas as acusações de abandono dos termos da Aliança e mesmo a ameaça da ruína estão inseridas dentro do contexto maior da promessa da habitação perpétua da terra. A promessa e o amor de Deus por Israel estavam acima do castigo que ele daria ao povo pela quebra do pacto.

Sob o ponto de vista histórico, o texto também alerta para o fato das péssimas decisões tomadas pelos israelitas à medida que foram se afastando dos ideais da Aliança. Jeremias, implicitamente, afirma ao povo que, o retorno aos padrões pactuais, traria a sua restauração histórico-social.

Referências

AMSLER, S.; ASURMENDI, J.; AUNEAU J.; MARTIN-ACHARD, R. Les Prophètes et les livres prophétiques. Paris: Desclée, 1985.

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Volume E. São Paulo: Hagnos, 2002.

EICHRODT, Walther. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2004.

FOHRER, G.; SELLIN E. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Academia Cristã e Paulus, 2007.

HOLLADAY, Willian L. A comentary on the book of the prophet Jeremiah Chapters 1-25. Philadelphia: Fortress press, 1986.

McKANE, Willian. A Critical and Exegitical commentary on Jeremiah. Edinburgh: T. & T. Clark Limited, 1970.

VERHEIJ, Arian. Grammaire élémentaire de l’hébreu biblique. Genève: Labor et Fides.

VON RAD, Gerhard. Théologie de L’Ancien Testament. Genève: Labor et Fides, 1965.

SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2009.

STULMAN, Louis; O’Connor, Kathleen M., DIAMOND, A.R. Pete. Troubling Jeremiah. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1999.

[1]             VON RAD, p. 169.

[2]             FOHRER, p. 117

[3]             HOLLADAY, p. 238.

[4]             MCKANE, p. xlii.

[5]             ibidem, p. xlix

[6]    STULMAN, p. 37.

[7]             ibidem, p. 160.

[8]             ibidem, p. 160.

[9]             Ancient Testament interlinéaire hébreu-français. Aliance Biblique Universelle.

[10]           VERHEIJ, p. 31.

[11]  SCHULTZ, p. 157.

[12]  SCHULTZ, p. 231.

[13]           EICHRODT, p. 55.

[14]  CHAMPLIN, p. 341.

[15]  CHAMPLIN, p. 342.

[16]  De acordo com Eichrodt o Livro da Aliança era um resumo dos preceitos jurídicos de Israel baseados em Moisés combinado com o direito cananeu.

[17]  EICHRODT, p. 88.

[18]  EICHRODT, p. 310.

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  • everton

    Impressionante como a bíblia se completa,no novo testamento jesus é coagido em várias passagens a fazer aplicação da lei(como no caso da mulher adúltera ) no entanto, jesus ponderando entre a preservação da vida e a aplicação da lei ele sempre opta pela vida.
    Num processo dedutivo lógico a mera aplicação da lei não pode se sobrepor ao perdão, a misericórdia e ao amor.jesus é o fim da lei resumindo tudo em :Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
    E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

    Marcos 12:30-31

  • Tamires

    Ótimo texto e análise Milho (desculpa a intimidade).

  • Igor Borges

    Muito boa análise.
    Como os “evangélicos” – atualmente – estão bem parecidos com esse povo.