Dom Robinson, in memorian

O bispo da Igreja Anglicana do Recife Edward Robinson de Barros Cavalcanti e sua esposa Miriam Cavalcanti foram mortos a facadas dentro de casa no bairro dos Bultrins, em Olinda, na noite do domingo (26). O filho adotivo do casal, de 29 anos, é suspeito de ter praticado o crime contra os pais. (G1.com.br)

A notícia me deixou com as pernas bambas, confesso! Além de sempre eu me sentir mal com a injustiça, ouvir tal notícia me abalou interiormente. Na leitura de Dom Robinson me encantei com o olhar cristão da política. Lendo um de seus livros me inspirei para minha monografia de conclusão de curso. Suas ideias teológicas e suas práxis profética tem me motivado na minha reflexão e ação pastoral. Sim, ele era um dos profetas da nossa era, não como os “ungidões” que “vaticinam” qualquer besteira, mas como um Oséias, Miquéias ou Amós, que dá nome aos pecados, que apontam a origem das desigualdade e que chama o povo de Cristo para se comprometer com os valores do Reino.

O crime, de acordo com a Polícia foi cometido pelo próprio filho adotivo do casal. Logo adiante na notícia lemos:

De acordo com o delegado, o suspeito seria usuário de drogas. “Ele morava na Flórida e estava na cidade de passagem. Ontem [domingo], ele foi até à igreja onde o pai trabalhava. Depois, foi para casa e testemunhas o ouviram amolando a faca no jardim. Ele era usuário de drogas e já tinha sido preso por isso. Acredito que antes do crime houve discussão com os pais, mas os motivos ainda serão investigados”, contou. (G1.com.br)

Como coordenador de grupo de apoio para dependentes quimicos a notícia mais uma vez me deixou com as pernas bambas. Será que a droga venceu mais uma vez fazendo mais uma família vítima da sua brutalidade? Será que mais uma vez o estigma do dependente químico será o do bandido, do assassino e daquele que não tem recuperação?

Não creio que esta era a opinião de Dom Robinson, não imagino que ele tenha visto seu filho desta maneira, antes, imagino que ele tenha preferido enfrentar à morte por amor ao seu filho e tentar ajudá-lo do que simplesmente estigmatizá-lo com “o problema”.

Que esta notícia nos comova, não pela sua brutalidade, mas pelo caráter de Cristo imprimido na vida desta família, que apesar de sofrer com a dureza do pecado, continua a nos mostrar que Cristo é Rei e Senhor. Amém!

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