A Identidade da Igreja: missão como obra de Deus.

Portanto, somo embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio.
2Co 5.20
 Quero refletir essa temática a partir daseguinte pergunta: “Qual é a principal tarefa da igreja?” Fazer missõescumprindo o IDE de Jesus pode ser a nossa primeira resposta. Ela não estáerrada, contudo, é limitada. Essa pergunta deve gerar uma reflexão maisprofunda sobre o tema. Esse conceito de que missão é mais um papel ou umaobrigação eclesiástica, inibe a igreja de viver a plenitude da sua identidade.Paul Stevens afirma em seu livro:
“Ironicamente, em sua constituição, aIgreja é um povo sem leigos no sentido usual dessa palavra, mas cheia declérigos no verdadeiro sentido dessa palavra – dotado, comissionado e apontadopor Deus para continuar o Seu serviço e missão no mundo. A Igreja não “tem”,então, um ministério; ela é um ministério, o ministério de Deus. Ela não tem uma missão; é uma missão. Há umpovo, um povo trinitariano, um povo que reflete o Deus uno que é amante, amadoe amor, como disse certa vez Agostinho, é um Deus que envia, é enviado e estáenviando”.[1]
A partir desse texto podemos entender quemissão, não é mais uma função da igreja, mas é aquilo que define sua identidadeenquanto instituição de Deus, ela é fruto da missão do próprio Criador. OndeDeus envia seu Filho, e este conjuntamente com o Pai, enviam o Espírito Santo.Portanto, missão e igreja não podem ser separadas, pois fazem parte da obra dopróprio Deus em Cristo, que é atualizada pelo Espírito Santo. Igreja e missãosão instrumentos pelo qual Deus promove a sua missão na terra. O corpo de Cristo, enquanto igreja universal, évaso de Deus, ação da misericórdia do Senhor em direção ao perdido. Portanto, não cabe a igreja decidir seela quer fazer missão, ela só pode decidir se quer ser igreja. Respondendoa nossa pergunta inicial, a principal tarefa da igreja, é descobrir suaidentidade, que é ser uma igreja missionária (1Pe 2.9). A atividade missionárianão é tanto uma ação da igreja, mas é simplesmente a igreja em ação.
A partir do momento que a igreja resisteà intenção do próprio Deus em fazer missão, ela deixa de ser corpo de Cristo,pois não há possibilidade de pertencer a Cristo sem participar em sua missão aomundo. Quando a congregação dos santos nega sua identidade missionária, dealguma forma, tenta restringir o senhorio de Deus em seu serviço, na históriada salvação da humanidade. Nisso percebemos que Deus não somente envia, mas étambém enviado, e mais, é o conteúdo da missão.[2]O apóstolo Paulo em 2Co 5.18-21 diz que Deus escolheu nos reconciliar consigomesmo, mediante o evento do Calvário. Essa restauração de relacionamentosdesperta no reconciliado, caso não negue sua identidade como igreja de Deus, atarefa de representar essa graça no mundo em que vive. Somos embaixadores emnome de Cristo, seus representantes.
E ser embaixador das boas novas, nãodepende de deslocamento geográfico. Parece-me que o conceito de missão estáfortemente ligado ao texto de Mc 16.15, onde a ênfase recai no IDE! É inegávelque esse versículo inflamou corações a percorrerem o mundo anunciando oevangelho, contudo, amarrou missão com deslocamento geográfico, e isso, de certaforma, pode ser um problema. Ao fazermos uma tradução literal a partir do textogrego de Mc 16.15 descobrimos algo importante: “E disse a eles: Indo para o mundo inteiro proclamai o evangelho…”, o imperativo do versículo não é o ir, mas o proclamar. Se a ênfase éo proclamar, logo, não preciso me deslocar geograficamente, mas, onde estiver,posso viver minha identidade como igreja de Deus.
Missão é obra de Deus. Todos quantosforam alcançados pelo evangelho de Cristo, são missionários. Ir pelo mundo a fora proclamar a Cristo éuma tarefa importante e necessária, mas não é o que me define como missionário.Vamos despertar para a concepção de que fazer missão é viver a partir deCristo. Vamos orar a Deuspelos nossos irmãos eirmãs, que estão em terras distantestestemunhando da graça de Cristo, porém, vamostambémcumprir nosso papel de igreja proclamando a mensagem da cruz, em terras próximas.

[1] STEVENS, R. Paul. Os outros seis dias. Viçosa: Ultimato,2005. p. 15.
[2] VICEDOM, Georg; A missão como obra de Deus: introduçãoa uma teologia da missão. São Leopoldo: Sinodal, 1996. p. 23.

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