Fora do Éden 002 – Pedofilia, Trisal e Deus no impeachment

 

Continuamos para Fora do Éden. O mundo aqui fora é bem mais complicado do que era dentro do jardim. Para tentar esclarecer as coisas, trazemos três notícias para este programa: O que um bispo francês quis dizer quando declarou que não sabia se “pedofilia é um pecado”? O que os deputados estavam pensando quando usaram o nome de Deus na votação do Impeachment? E o que significa três pessoas se registrando como “casal” num cartório carioca? E no Amplificador, Abner resgata um grupo vocal que foge do senso comum e comunica vida em cada nota.

O Fora do Éden é um podcast que tenta ser mais uma voz no meio dessa enxurrada de informações. Uma voz que ajuda a selecionar aquilo que é de mais importante nas notícias que envolvem a Igreja, e traz isso para você engarrafado num programa quinzenal.

(Cuidado: contém opiniões. Alguns organismos podem ser intolerantes a isso.)

Participantes: Rodrigo Bibo de Aquino, Cacau Marques, Rogério Moreira Jr. e Willian Erthal,

Matérias comentadas no programa:

Padre francês declara ter dúvidas se a pedofilia é pecado

  • Matéria da AFP (traduzida pelo Globo) com a declaração do bispo
  • Entrevista em áudio em que o bispo diz ter dúvidas se pedofilia é um pecado (francês).
  • Matéria em que o bispo se retrata, dizendo que a pedofilia é “objetivamente um pecado” (francês)

Deputados dedicam a Deus o voto pelo Impeachment


Cartório do Rio de Janeiro registra a união civil entre duas mulheres e um homem

  • Perfil do Extra sobre o casal
  • Artigo do Instituto Brasileiro de Defesa da Família sobre o caso, ouvindo o pessoal do cartório e fazendo uma análise.
  • Matéria do Telegraph sobre o caso das irmãs Spinster. Elas lutam há anos na justiça para evitar pagar os altos impostos de herança quando uma delas morrer. A tese delas é que, se fossem registradas como um casal de lésbicas, elas não precisariam passar por isso. (inglês)

Categorias: Fora do Éden,Podcast

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  • Rafael Eduardo

    Eu tenho uma duvida, gênesis diz que: Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. Como compreender isso se varias pessoas tiveram mais de uma mulher,Davi,Abraao,Jacó entre outros.Pq isso ficou em aberto e não houve um corte nesse lance da poligamia.

    • Rogério Moreira Júnior

      Então, ai eu acho que foi mais a cultura daquele tempo entrando para dentro do povo de Deus (no caso, Israel) e influenciando eles. Até porque lá no NT, quando os fariseus perguntam a Jesus sobre o divórcio, ele responde citando Gênesis, e não a Lei.

      Abraços pelo comentário mano! Volte sempre ai!

  • Welber Martins

    Gostei do vídeo que o Pirula sobre a briga Bolsanaro ( de agora em diante para mim, vulgo doutor Destino) e o Jean Wyllis. Também me incomoda as citações de Deus, mas me incomoda mais é saber q muito evangélico curtiu isso. E o pior de tudo saber que a maioria dos deputados ñ está lá pelo voto direto.

    • Rogério Moreira Júnior

      Grande Welber. Valeu pelo comentário.

  • Welber Martins

    Contando a a partir de agora para aparecer uma igreja q aceite a poligamia.

    • Rogério Moreira Júnior

      Talvez vão ser as mesmas liberais que vão acabar aceitando isso no balaio.

      Abraços!

  • Willian Rochadel

    Ótimo nível de reflexão, a participação do Willian Erthal valorizou ainda mais as discussões.
    Aos 27min o discurso do Cacau foi indiscutível, direto e ainda assim profundo.
    Parabéns, galera. Realmente não imaginei que a proposta vingaria tão bem, mas agora percebo a importância e relevância que conseguiram em tão pouco tempo.
    Obrigado!

    • Rogério Moreira Júnior

      Obrigado pelo comentário gentil, cara. Agora o negócio é correr para manter o nível nos próximos.

      Abraço!

  • Jefferson Kuszkowski

    Particularmente, independente da minha crença, valorizo a Liberdade Individual de qualquer pessoa. Essa mesma liberdade que permite a minha crença. Não é uma lei que permite diversos arranjos familiares que mudará a constituição da minha família. Não acho justo impedir as condições de liberdade que tenho ao outro, por divergência de crença ou sexualidade. Não posso considerar que meus pecados são inferiores, apesar de diferentes, aos outros. Não posso impedir por lei que alguém peque nem por ela que alguém se salve. Enquanto minha liberdade estiver em vigor, não me cabe tirar a liberdade do outro, seja sua opinião igual a minha ou não.

    Sobre o podcast, nossa, me surpreendeu. Parabéns!

    • Rogério Moreira Júnior

      Poisé, ai seguimos a ideia de liberdade para todos – tanto para nós quanto para eles. Mas acho que uma questão que entra aqui é a relação entre o Estado e o Casamento. A quem pertence o casamento? A quem pertence decidir o que é uma família? Nesse vídeo o Kevin De Young explica a questão de um jeito que eu acho que merece ser analisado: https://www.youtube.com/watch?v=VhkiPPuyuac

      Além disso, até que ponto essa liberdade não pode nos ser danosa? Como o Will falou sobre o trisal, e se chegarmos a um ponto em que a justiça puna as igrejas que se negarem a reconhecer famílias de outras configurações?

      Abraços, e obrigado pelo comentário!

  • Victor

    Que dica sensacional do Abner, desse grupo – Vocal Livre – tô redescobrindo a música cristã graças as dicas do Abner aqui e no Contraponto. Continuem assim!

  • Marcos Martins

    Apesar de ouvir esse episódio muito depois do tempo (muuuito mesmo), achei por bem comentar, já que fala bastante sobre conservadorismo e eu mesmo me simpatizo com os autores conservadores e liberais. Alguns pontos me chamaram a atenção.

    1 Voto do Bolsonaro

    De fato, achei o voto dele lamentável. O nome do Bolsonaro nunca me desceu exatamente por causa desse lado. Ele fala muita bobagem. Pessoalmente, creio que a razão por ele ser tão expressivo no cenário político apesar disso é a pura e simples falta de nomes que defendam bandeiras conservadoras e liberais. Ele foi o primeiro e ainda é um dos únicos a falar sobre temas que estavam ausentes do debate político, ainda que toque neles de forma desastrada. Hoje em dia nem tanto, mas há um tempo atrás era um tabu falar sobre fim do desarmamento, doutrinação política nas escolas, política de minorias, política de segurança pública que garanta a punição efetiva dos criminosos, etc… Ele é popular porque ocupou um espaço praticamente vazio, mas é muito ruim. Torço para que ele seja superado pela própria direita, a partir do surgimento de políticos melhores defendendo essas bandeiras.

    Agora, não se pode deixar de notar também que o Bolsonaro foi execrado por seu voto que defende um monstro “de direita”, mas outros votos igualmente ruins passaram batidos, porque defendem monstros de esquerda. Houve quem dedicasse o voto ao Marighella, que fez o manual do guerrilheiro urbano, no qual ensina diversas técnicas terroristas. Do mesmo jeito que Ulstra foi condenado por um tribunal, o caso Marighela não se trata de mera opinião, já que suas ideias estão todas no livro. Basta ler. Posso adiantar que pinga sangue do texto. A minha questão é: por que pode falar de criminosos de esquerda e não de direita? O tratamento deveria ser igual.

    Aliás, também não concordo que Jean Wyllys tenha cuspido em Bolsonaro justificado por alguma moralidade. Ele mesmo defende Che Guevara, que assassinou muitos presos políticos durante a revolução em Cuba. Inclusive há um vídeo famoso no Youtube no qual ele discursa na ONU defendendo fuzilamentos. Novamente, um defende o monstro de direita e o outro o monstro de esquerda. Qual a diferença entre eles?

    2 Os conservadores e a agenda LGBT

    Na fala do Cacau, ficou parecendo que há quem defenda agressão de gays. Na verdade, nunca vi nenhum nome de alguma expressão dentro da direita defendendo isso. O mais perto disso foi uma declaração do próprio Bolsonaro de bater no filho para ele não se tornar gay . Mas ele mesmo já admitiu que falou besteira na ocasião. Novamente, é por essas e outras que nunca me empolguei com ele.

    Finalmente, acho problemático estabelecermos um limite para questionar pesquisas estatísticas. Por definição, pesquisas devem ser criticadas. Não importa se 1 gay é agredido ou 1000, isso não muda o fato de que aquilo é errado. Agora, distorcer números para fazer parecer que um problema tem uma dimensão maior é imoral, pois pode influenciar os governos a priorizarem políticas voltadas para aquele grupo, quando os números reais poderiam mostrar que outros problemas precisariam ser enfrentados com maior urgência. Por exemplo, se 100 pessoas morrem da doença A e 1000 da doença B, mais recursos serão gastos com a doença B. Mas se uma pesquisa é forjada e indica que a doença A mata 50000 pessoas, as políticas são implementadas de forma distorcida. No caso da violência contra gays, chama a atenção a ineficiência na segurança pública, mas é reprovável o comportamento de boa parte da imprensa de considerar crime de homofobia qualquer morte de gay, sem que haja uma investigação prévia. Não importa de qual interesse ou grupo estejamos falando, isso é errado. Já vi casos concretos onde se armou um carnaval, inclusive com exploração de certos grupos políticos, apenas para descobrirem que foi um caso de suicídio dias depois. Esse tipo de exploração é até um desrespeito com a pessoa falecida.

    Espero que o meu comentário tenha deixado um pouco mais claro como pensa alguém que se considera conservador. Não posso dizer que seja porta-voz de nada (aliás, o que muita gente tentou fazer na votação do impeachment). Mas deve servir de alguma coisa, já que o ponto de vista tende a ser bem diferente. Para alguém de direita, mesmo com todos os problemas, a impressão que fica é que Bolsonaro não é pior do que muita gente famosa que está na esquerda, mas é muito mais criticado por defender os “monstros errados”. O triste é que a partir daí muita gente se solidariza com ele e passa a ignorar seus defeitos.